O terceiro governo Lula chegou ao fim de seu primeiro triênio com melhora expressiva nos indicadores de mobilidade social. De acordo com análise do professor Waldir Quadros, aposentado do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit, os dados da PNAD Contínua anual indicam retração das camadas mais pobres e crescimento dos segmentos médios entre 2022 e 2025.
No período, a parcela da população classificada como miserável caiu de 8,9% para 6,2%, enquanto a massa trabalhadora recuou de 25,9% para 22,9%. Na outra ponta da estratificação, a média classe média passou de 15,1% para 17,8%, e a alta classe média avançou de 8,7% para 11,5%. Em números ajustados, o movimento representa a saída de cerca de 5,7 milhões de pessoas da miséria e de 6,4 milhões da pobreza, acompanhada da expansão dos estratos médios.
O estudo também mostra que a melhora alcançou segmentos relevantes da população. Entre mulheres pardas, a proporção de miseráveis caiu de 12% para 8,1%, enquanto a média e a alta classe média cresceram. Entre jovens de 20 a 24 anos, houve redução daqueles que viviam em famílias das camadas populares e aumento da presença nos estratos médios.
Para Quadros, esses resultados ajudam a explicar a recuperação recente da aprovação do governo, embora não eliminem a frustração social acumulada. A melhora da renda e da posição social convive com problemas persistentes em saúde, educação, habitação, segurança e transporte público, áreas afetadas pela disputa em torno dos gastos públicos e pela manutenção de juros elevados.
O artigo sustenta que a ascensão social recente é relevante, mas insuficiente diante dos impasses do desenvolvimento brasileiro. Na avaliação do autor, a ausência de uma reindustrialização moderna limita o crescimento, a geração de empregos qualificados e as oportunidades para pequenos negócios. Por isso, a melhora social registrada no triênio aparece como avanço concreto, mas ainda dependente de um projeto econômico capaz de combinar inclusão, desenvolvimento produtivo e sustentabilidade.