O Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/IE/Unicamp) lança o volume 7 da Revista Brasileira de Economia Social e do Trabalho (RBEST), dedicado ao dossiê “Estratégias sindicais no mundo contemporâneo”. A edição reúne análises que articulam transformações estruturais do capitalismo recente, mudanças tecnológicas e ambientais e seus impactos sobre o mundo do trabalho, além de examinar respostas institucionais, sindicais e estatais a esse cenário.
Na seção de artigos, a revista aborda temas centrais da economia social brasileira nas últimas duas décadas. Um dos estudos examina os efeitos da desindustrialização, da precarização do emprego e das escolhas de gestão tributária sobre o orçamento da seguridade social, discutindo os limites fiscais e distributivos de um sistema pressionado por mudanças produtivas e ocupacionais. Outro texto analisa o crescimento da proporção de mulheres responsáveis por domicílios, evidenciando transformações demográficas e sociais com repercussões sobre renda, trabalho e políticas públicas.
A desigualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior entre 2004 e 2024 também é objeto de investigação, com ênfase nas persistências e deslocamentos ao longo de duas décadas de expansão e inflexão das políticas educacionais. No campo da proteção social, há um balanço do Programa Bolsa Família em um período marcado por estagnação econômica e restrições orçamentárias, examinando seus efeitos e limitações em contexto adverso.
A informalidade do trabalho é analisada à luz dos fluxos migratórios recentes na América Latina, explorando interconexões regionais e tensões entre inserção ocupacional precária e dinâmicas de mobilidade internacional. Esses estudos compõem um panorama que conecta mercado de trabalho, política social e estrutura produtiva.
O dossiê temático amplia a perspectiva ao examinar estratégias sindicais em diferentes países e setores. Os artigos discutem desde a diversidade de posicionamentos sindicais frente à agenda ambiental no plano internacional até práticas inovadoras na Argentina diante da incorporação de novas tecnologias e da mudança climática. A transição energética é analisada a partir de seus impasses no mercado de trabalho e nas economias locais dependentes de atividades intensivas em carbono.
O volume também contempla experiências e dilemas do movimento sindical nos Estados Unidos sob novo ciclo político, o declínio e as possibilidades de revitalização sindical na Turquia em meio à globalização neoliberal, bem como os constrangimentos para uma transição justa em programas de modernização do transporte urbano em países asiáticos. No caso brasileiro, há análise sobre trajetória e determinantes da filiação sindical entre 2012 e 2022, além de estudos sobre organização coletiva e conflitos trabalhistas no setor de plataformas digitais na Argentina e no Uruguai, evidenciando novas formas de ação coletiva em ambientes de trabalho fragmentados.
A seção especial inclui reflexão sobre a politização dos salários em mercados heterogêneos e um resgate da trajetória institucional dos estudos de políticas públicas no Brasil. O número traz ainda debate sobre a redução da jornada de trabalho, examinando seus possíveis efeitos sobre emprego e produtividade, e resenhas que discutem fundamentos para a semana de quatro dias e críticas ao modelo norte-americano de desregulação do trabalho.