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Trabalho para todas as pessoas: é possível?

CEIS: fonte de empregos de qualidade

Artigo analisa o Complexo Econômico-Industrial da Saúde como eixo de desenvolvimento e geração de empregos no Brasil.

Autores: Denis Maracci Gimenez e Marcelo Prado Manzano | Emprego para todas as pessoas: é possível?

O artigo “CEIS: fonte de empregos de qualidade” analisa o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) como um espaço estratégico para articular desenvolvimento econômico, política social, inovação tecnológica e geração de trabalho no Brasil. Os autores partem da hipótese de que o CEIS expressa, ao mesmo tempo, limites estruturais do subdesenvolvimento brasileiro e possibilidades de superação desses entraves por meio de uma política pública orientada à universalização da saúde e à criação de ocupações de melhor qualidade.

O estudo situa a saúde na fronteira de diferentes dimensões do capitalismo contemporâneo. O setor mobiliza grandes blocos de capital, incorpora tecnologias associadas à chamada indústria 4.0, como inteligência artificial, big data e interoperabilidade de dados, e sustenta o maior sistema público universal de saúde do mundo. Essa combinação faz do CEIS uma área decisiva para discutir desenvolvimento produtivo, capacidade estatal e mercado de trabalho.

No caso brasileiro, o artigo destaca contradições relevantes. O país é grande consumidor de bens e serviços de saúde, especialmente por meio do SUS, mas convive com dependência tecnológica, fragilidade produtiva, desindustrialização e vazamento de recursos para o exterior. Essa desarticulação entre consumo, produção e inovação limita o potencial do setor, embora também revele espaço para expansão de atividades industriais, científicas e de serviços vinculadas à saúde.

Os autores argumentam que o CEIS tem grande capacidade de gerar ocupações mais estáveis, menos expostas às crises econômicas e com melhores condições de contratação, uso e remuneração. Ao mesmo tempo, observam que a modernização do setor pode aprofundar desigualdades caso seja conduzida de forma fragmentada, com serviços sofisticados restritos a grupos de alta renda e trabalho precarizado para a maior parte da população.

O texto também discute os efeitos das transformações tecnológicas sobre o trabalho em saúde. A incorporação de novas tecnologias exige integração entre universidades, centros de pesquisa, indústria, serviços públicos e formação profissional. Sem planejamento de longo prazo, esse processo pode ampliar a polarização ocupacional e comprometer a dimensão humanizada da atenção à saúde.

Ao articular CEIS, SUS, desenvolvimento produtivo e trabalho, o artigo sustenta que a saúde pode ocupar papel central em uma estratégia nacional de desenvolvimento. Para isso, o fortalecimento do complexo econômico-industrial precisa estar associado à expansão da base produtiva nacional, ao financiamento público, à inovação tecnológica e à valorização das ocupações no setor.

O artigo integra a série publicada em parceria entre o Cesit e a Fundação Friedrich Ebert Stiftung.

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