Autores: Brenda Brito Neves e Lucca Rodrigues | Emprego para todas as pessoas: é possível?
O artigo “Empregos Verdes no Brasil” investiga como a transição para uma economia de baixo carbono pode alterar a estrutura do mercado de trabalho brasileiro. A partir da literatura nacional e de dados da PNAD Contínua, os autores analisam atividades econômicas associadas à proteção ambiental, à redução de impactos ecológicos e à promoção de processos produtivos mais sustentáveis.
O estudo parte da constatação de que a transição ecológica não se limita à substituição da matriz energética. Ela envolve mudanças produtivas, tecnológicas e sociais que afetam diferentes setores da economia e criam novas demandas por trabalho. Nesse contexto, os empregos verdes são definidos como aqueles vinculados a atividades de manejo e proteção ambiental, transição energética, descarbonização da produção e melhoria da qualidade ambiental de processos produtivos.
A análise classifica os empregos em três grupos: empregos verdes, empregos com potencial poluidor e empregos de baixo impacto ambiental. Com base nos dados do quarto trimestre de 2024, o artigo mostra que 59% dos empregos no Brasil estavam em atividades com potencial poluidor, 25% em atividades de baixo impacto e 16% em atividades classificadas como verdes.
Os autores também distinguem a distribuição desses empregos entre os setores público e privado. O setor público concentra proporcionalmente a maior presença de empregos verdes: 79% dos postos públicos analisados se enquadram nessa categoria. No setor privado, a proporção é de 8%, enquanto predominam atividades com potencial poluidor, que representam 67% dos empregos privados.
O texto indica que a expansão dos empregos verdes pode ocorrer por duas vias. A primeira passa pelo aumento do emprego público em áreas ligadas à educação, administração pública, políticas ambientais e infraestrutura sustentável. A segunda depende da capacidade do setor privado de ampliar atividades verdes e reduzir o impacto ambiental de setores atualmente classificados como potencialmente poluidores, por meio de inovação, novas tecnologias e melhor gestão ambiental.
Ao articular mercado de trabalho, transição ecológica e estrutura produtiva, o artigo sustenta que o Brasil tem espaço para ampliar empregos verdes, mas essa expansão depende de coordenação entre políticas públicas, investimento privado e estratégias produtivas orientadas à sustentabilidade. O estudo reforça que a transição ecológica não é apenas uma agenda ambiental, mas também uma questão econômica e social, com efeitos diretos sobre a geração e a qualidade do trabalho.
O artigo integra a série publicada em parceria entre o Cesit e a Fundação Friedrich Ebert Stiftung.