Autores: José Dari Krein, Marcelo Manzano e Marilane Teixeira
O artigo “Ocupações sociais e garantia de empregos” analisa os limites do crescimento econômico como mecanismo suficiente para gerar trabalho para toda a população. A partir da trajetória brasileira, os autores mostram que a expansão produtiva e a industrialização não foram capazes de incorporar plenamente a força de trabalho, mantendo elevados níveis de informalidade, subocupação e desigualdade .
O estudo argumenta que as transformações recentes — como digitalização, desindustrialização e mudanças tecnológicas — tendem a aprofundar esse quadro. Nesse contexto, sustenta que enfrentar a falta de trabalho exige políticas públicas que atuem de forma direta sobre a geração de ocupações, para além da expectativa de que o mercado absorva automaticamente os trabalhadores.
Como proposta, os autores apresentam a criação de um programa de ocupações sociais, inspirado na ideia do Estado como garantidor do trabalho. A iniciativa consiste em direcionar recursos públicos para atividades de interesse coletivo que não são atendidas pelo setor privado, criando oportunidades de trabalho associadas a demandas sociais concretas, como cultura, meio ambiente, produção de alimentos e serviços de cuidado.
O artigo detalha possibilidades de implementação em grandes centros urbanos, com exemplos de políticas já existentes e passíveis de ampliação. Na área cultural, destaca o potencial de equipamentos públicos como centros culturais e espaços comunitários para ampliar atividades e gerar renda. Na produção de alimentos, aponta a agricultura urbana como estratégia capaz de combinar geração de trabalho, segurança alimentar e benefícios ambientais. Já no campo dos cuidados, evidencia a insuficiência da oferta pública e o potencial de expansão de serviços voltados à infância, idosos e pessoas com deficiência.
Ao articular essas frentes, o estudo sustenta que programas dessa natureza podem ampliar oportunidades de trabalho, fortalecer vínculos comunitários e responder a demandas sociais não atendidas, contribuindo para reduzir desigualdades e enfrentar a precarização estrutural do trabalho.
O artigo integra a série publicada em parceria entre o Cesit/IE/Unicamp e a Fundação Friedrich Ebert Stiftung.