O Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), do Instituto de Economia da Unicamp, divulga a nova edição do Boletim Trimestral: Mercado de Trabalho, referente ao primeiro trimestre de 2026. Elaborada a partir dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua), do IBGE, a publicação reúne indicadores nacionais e estaduais e apresenta recortes por gênero, raça, idade e região.
No primeiro trimestre, a taxa de participação no mercado de trabalho foi de 62,0%, enquanto 66,5 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho. A participação dos homens chegou a 72,4%, ante 53,0% entre as mulheres. Entre homens brancos, a taxa foi de 72,3%, enquanto entre mulheres negras ficou em 51,1%. As diferenças também aparecem territorialmente: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás registraram taxas de participação próximas de 66,6%, enquanto Pernambuco apresentou 52,9%.
As responsabilidades domésticas e de cuidado permanecem associadas à menor participação feminina. Entre as pessoas que não procuraram trabalho, 20,7% apontaram como principal motivo a necessidade de cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos ou de outros parentes. O percentual chega a 29% entre mulheres brancas e 32% entre mulheres negras. Entre os homens, a ausência de trabalho na localidade aparece com maior frequência entre as razões para não buscar uma ocupação.
A força de trabalho brasileira somou 108,5 milhões de pessoas, e o nível de ocupação alcançou 58,2%. Também nesse indicador há diferenças: 68,8% dos homens estavam ocupados, comparados a 49,5% das mulheres. Entre os estados, Santa Catarina apresentou o maior nível de ocupação, de 66,4%, seguida por Mato Grosso, com 65,7%. Alagoas registrou o menor percentual, 46,5%.
A taxa nacional de desemprego ficou em 6,1%. O resultado, contudo, varia de forma expressiva quando considerados gênero, raça e território. Entre as mulheres negras, a taxa chegou a 8,5%, diante de 4,0% entre homens brancos. No recorte estadual, o desemprego variou de 2,7% em Santa Catarina a 10,0% no Amapá. Pernambuco, Alagoas e Bahia apresentaram taxas de 9,2%.
Entre os jovens, a dificuldade de ingresso no mercado de trabalho permanece mais acentuada. A taxa de desemprego desse grupo foi de 11,6%, chegando a 25,4% entre pessoas de 14 a 16 anos e a 22,2% entre aquelas de 17 a 19 anos. Entre jovens mulheres negras, a desocupação atingiu 15,2%, enquanto entre homens brancos ficou em 8,6%.
O boletim também analisa formas menos visíveis de insuficiência de trabalho. A taxa de subutilização da força de trabalho foi de 14,3%, incorporando desocupados, pessoas subocupadas por insuficiência de horas e integrantes da força de trabalho potencial. O indicador chegou a 30,4% no Piauí, 26,3% na Bahia e 26,1% em Alagoas, enquanto Santa Catarina registrou 4,7%. Entre mulheres negras, a taxa nacional de subutilização alcançou 21,1%.
Outro dado acompanhado é a duração da procura por emprego. Entre as pessoas que buscavam uma ocupação, 51% estavam nessa situação havia entre um mês e menos de um ano, enquanto 17% procuravam trabalho havia dois anos ou mais. Nesse último grupo, o percentual foi de 21% entre mulheres negras e de 20% entre mulheres brancas.
Pela metodologia adotada pelo CESIT, a taxa de informalidade foi de 46,8% no primeiro trimestre. O indicador considera empregados dos setores privado e público sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, trabalhadores por conta própria e trabalhadores familiares auxiliares. A informalidade chegou a 67,1% no Maranhão, 63,0% no Pará e 62,5% no Piauí. No outro extremo, Distrito Federal e Santa Catarina registraram 36,6% e 36,7%, respectivamente.
A remuneração habitual média do trabalho foi de R$ 3.506,54. Os dados mostram diferenças entre homens e mulheres em todas as unidades da Federação apresentadas no boletim. Em São Paulo, por exemplo, o rendimento habitual médio foi de R$ 4.939,39 para os homens e R$ 3.694,85 para as mulheres. No Distrito Federal, foram registrados os maiores valores: R$ 7.429,91 entre os homens e R$ 5.859,20 entre as mulheres.
Produzido em parceria com o Fundo Brasil, o boletim é de autoria das pesquisadoras Marilane Teixeira, Caroline Lima Oliveira e Clara Saliba. A série tem como objetivo facilitar o acesso a estatísticas oficiais sobre o mercado de trabalho brasileiro e oferecer uma leitura periódica de seus principais indicadores, considerando desigualdades sociais e diferenças regionais.