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CESIT lança edição especial do boletim trimestral sobre desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho

Publicação reúne dados do quarto trimestre de 2025 e mostra como participação, desemprego, informalidade e rendimentos seguem marcados por assimetrias estruturais.

O Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT) do Instituto de Economia da Unicamp lançou a edição especial de 8 de Março de seu boletim trimestral, dedicada a examinar o mercado de trabalho brasileiro a partir dos recortes de gênero e raça. A publicação, referente ao quarto trimestre de 2025, sistematiza informações da PNAD Contínua Trimestral com o objetivo de ampliar o acesso a dados oficiais e evidenciar desigualdades que persistem mesmo em um contexto de expansão ocupacional e formalização parcial.

O eixo central do boletim é claro: a melhora agregada dos indicadores de trabalho não elimina assimetrias estruturais. No prefácio, as autoras observam que a desigualdade entre mulheres e homens, brancos e negros, permanece inscrita nas formas de inserção ocupacional, na permanência fora da força de trabalho, na informalidade e nas disparidades de remuneração. O texto também chama atenção para o peso do trabalho doméstico e de cuidados na vida das mulheres e para o fato de que, nos arranjos familiares monoparentais com filhos de até 14 anos, elas representam 91% dos responsáveis, sendo 70% negras.

Os dados nacionais reunidos pelo boletim mostram taxa de participação de 62,1%, população fora da força de trabalho de 66,2 milhões de pessoas e força de trabalho de 108,5 milhões. O nível de ocupação alcança 58,9% e a taxa de ocupação, 94,9%, enquanto a taxa de desemprego fica em 5,1%. Ainda assim, o recorte por sexo e raça mostra que a inserção no mercado de trabalho segue desigual, com piores resultados concentrados entre mulheres, sobretudo mulheres negras. Entre os jovens de 18 a 29 anos, por exemplo, a taxa de desemprego é de 8,8%, e o material destaca diferenças relevantes entre homens e mulheres também nessa faixa etária.

O boletim também mostra que as razões para a interrupção da busca por trabalho permanecem fortemente marcadas pela divisão sexual do trabalho. Entre as mulheres fora da força de trabalho, 31% apontam os afazeres domésticos, o cuidado com filhos ou outros parentes como principal motivo para não terem tomado providências para conseguir trabalho no período de referência. Entre os homens, esse percentual é de 4%. Já os problemas de saúde ou gravidez aparecem como motivo para 19% das mulheres e 22% dos homens, enquanto a falta de trabalho na localidade pesa para 17% das mulheres e 23% dos homens.

Outro ponto de destaque é a subutilização da força de trabalho, que atinge 13,4% no país. O indicador amplia a leitura sobre o funcionamento do mercado ao incorporar, além da desocupação, a subocupação por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial. Nesse recorte, o boletim reforça que a precariedade não se resume ao desemprego aberto e que a desigualdade aparece também na qualidade e na intensidade da inserção laboral.

A informalidade segue como um dos principais traços da estrutura ocupacional brasileira. Pela metodologia do CESIT, a taxa nacional é de 49,0%, abrangendo empregados sem carteira no setor privado e no setor público, trabalhadoras domésticas sem carteira, conta-própria e trabalhadores familiares auxiliares. O boletim mostra ainda a distribuição do rendimento habitual do trabalho principal e informa que o rendimento médio nacional foi de R$ 3.215,27 no período, novamente com diferenças expressivas entre grupos sociais e unidades da federação.

Construído em parceria com o Fundo Brasil, o boletim foi elaborado por Marilane Teixeira, Caroline Lima Oliveira e Clara Saliba. Mais do que um retrato conjuntural, a edição especial de 8 de Março organiza evidências para qualificar o debate público sobre trabalho, renda e desigualdade, mostrando que os indicadores do mercado de trabalho brasileiro continuam atravessados por relações persistentes de gênero e raça.

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