Relatório de pesquisa – Descarbonização e política industrial: desafios na indústria automotiva brasileira
Este estudo analisa a transição global da indústria automotiva rumo à descarbonização,
destacando as principais mudanças que vem ocorrendo no cenário internacional e a inserção do Brasil nesse contexto. Em sua dimensão internacional o texto destaca como
a transição dos motores a combustão interna para tecnologias elétricas vem alterando
profundamente a cadeia de valor do setor, sobretudo pela centralidade das baterias, motores elétricos e eletrônica de potência. A China vem liderando essa transição, impulsionada por políticas industriais robustas, grande escala produtiva e domínio tecnológico. Em
2024, a China respondeu por 65% das vendas globais de veículos elétricos, tornando-se
também a maior exportadora mundial. EUA, Europa, Japão e Coreia do Sul adotam estratégias distintas, combinando incentivos, regulação e políticas de conteúdo local, embora
enfrentem revisões recentes em suas metas de eletrificação. Em especial empresas dos
Estados Unidos tem desacelerado a transição para veículos elétricos. Em sua análise do
caso brasileiro, o estudo aponta que o país possui vantagens importantes, como matriz
elétrica renovável e longa experiência com biocombustíveis, e enfatiza a importância do
Programa Mover, por incorporar em seus objetivos metas explícitas de descarbonização.
Destaca também que a entrada agressiva de montadoras chinesas, como BYD e GWM,
acelerou a difusão dos elétricos, pressionando incumbentes a acelerar suas estratégias de
eletrificação. Apesar disso a análise enfatiza a importância de adensar a cadeia produtiva,
reforçar vantagens nos biocombustíveis e avançar no domínio tecnológico e produtivo
das etapas críticas dos veículos eletrificados para que o Brasil possa se consolidar como
polo de mobilidade sustentável.
15 jun 2026