O Brasil vive hoje a crise final do “programa democrático-popular”. A esperança de que a passagem da ditadura e a consolidação de uma “democracia restrita” pudesse criar espaço para reformas progressivas que caminhassem rumo à superação de nossas mazelas seculares chegou a seu limite com o fim melancólico de mais de uma década de governo do PT. O substrato desse programa era a tese segundo a qual o “capitalismo tardio” brasileiro, não obstante suas evidentes debilidades, já havia chegado a um estágio
relativamente avançado da chamada “autodeterminação do capital”.