Conheça a história do NEA, o Núcleo que virou Centro. O CEA começa agora a escrever a sua própria história com a ambição de contribuir, de forma efetiva, com base nas ferramentas próprias da Academia e da Ciência, para a construção de um futuro de desenvolvimento sustentável do Brasil.
Do Núcleo de Economia Agrícola ao Centro de Estudos em Economia Aplicada, Agrícola e Meio Ambiente: a história do Núcleo que virou Centro
As origens do NEA datam da criação do Instituto de Economia da Unicamp, meados dos anos 1980. Fundado pelos professores José Graziano da Silva e Ângela Kageyama, o Núcleo de Economia Agrícola nasceu inovador, em uma incursão criativa que mesclava economia e sociologia agrícola, em um contexto no qual a economia praticada no Brasil não dava conta de entender – sem simplificações extremas da realidade – os problemas da insegurança alimentar, da dependência profunda do Estado, da persistência de formas arcaicas de organização da agricultura e nem mesmo da dinâmica da modernização conservadora e excludente que já estava em curso acelerado, transformando o meio rural e sentando as bases do que seria, 30 nos mais tarde, o agronegócio competitivo que no século XXI mantém o país em movimento.

Os temas iniciais que nuclearam as pesquisas do NEA foram a questão fundiária, a produção de alimentos e as políticas agrícolas. Os pesquisadores ocuparam-se da análise da espantosa desigualdade na posse da terra e suas consequências, tanto em termos de atraso social e econômico como da modernização que se firmava impulsionada por políticas agressivas que se traduziam em aumento da produção e, ao mesmo tempo, reforçavam a concentração e a exclusão, marcas do meio rural brasileiro. Naquele contexto, estudos pioneiros liderados por Graziano da Silva e Kageyama já mostravam a importância do então chamado “pequeno produtor” para a produção de alimentos, antecipando em uma década os trabalhos liderados pelo Convênio FAO/Incra que mostraram o protagonismo dos agricultores familiares para a segurança alimentar do país. Como o mundo é em camadas, os trabalhos do NEA indicavam tanto o peso das transformações decorrentes da inserção brasileira no mercado global quanto o papel das políticas públicas, em particular os investimentos em C&T que viabilizaram a transformação produtiva.

O NEA foi também pioneiro quando, em meados da década de 1990, incorporou ao A de agrícola o A de ambiente, e passou a ser Núcleo de Economia Agrícola e Meio Ambiente. Sob a liderança intelectual do Professor Ademar Romeiro, o NEA alargou seu campo de ação e foi um dos responsáveis pela introdução do tema meio ambiente nos estudos agrários e agrícolas. Mantido por um grupo pequeno, mas inquieto e ativo, o NEA nunca deixou de se transformar e de inovar. O Professor Bastiaan Reydon foi incansável no esforço de mostrar a importância dos estudos sobre mercado de terras e de governança fundiária. O Professor Walter Belik liderou estudos e se tornou referência, no Brasil e na América Latina, no tema de segurança alimentar. O Professor Rodolfo Hoffmann consolidou a pesquisa da distribuição de renda no Brasil e inspirou uma nova e talentosa geração de econometristas. O Professor Antônio Márcio Buainain, que se autoclassifica como generalista, transitou por muitos temas, desde a reforma agrária, política agrícola até inovação e propriedade intelectual, participando e liderando estudos que integram bibliografia obrigatória para compreender o moderno agronegócio brasileiro. O Professor José Maria da Silveira, agrônomo com formação em economia, outra mente inquieta, teve participação destacada em pesquisas sobre reforma agrária e pobreza rural, mas se dedicou principalmente aos estudos de inovação tecnológica na agricultura, tornando-se referência em temas como inovação de base biotecnológica, energia renovável e redes de pesquisa e inovação.
O penúltimo salto foi mais recente, ao longo das décadas de 2000 e 2010, com a chegada de pesquisadores, como os professores Alexandre Gori, Gustavo Aggio, Ivette Luna, Marcelo Cunha, Marcelo Justus, Marcelo Pereira, Maurício Serra, Marcio Wholers, Rodrigo Lanna e Rosangela Ballini, com interesses de pesquisas nas áreas de pobreza, finanças, desenvolvimento regional, energia e segurança, para mencionar alguns temas. A energia renovadora dos jovens pesquisadores levou a mais uma mudança: em 2019 o NEA virou Núcleo de Economia Aplicada, Agrícola e do Meio Ambiente. Neste movimento a sua sigla ganhou um sinal de adição (NEA+) para refletir essa soma de esforços. Do núcleo original do NEA restam apenas os professores Antonio Marcio Buainain, José Maria da Silveira e Ademar Romeiro, que mesmo aposentado é uma luz ativa no grupo. Em 2023, o NEA+ fundiu-se formalmente com dois outros núcleos de pesquisa do Instituto de Economia, o Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais e o Núcleo de Métodos Quantitativos, cujos pesquisadores já participavam do NEA, e agregou as professoras Camila Veneo e Aline Veronese da Silva, completando um time de 14 pesquisadores.
O grupo cobre um vasto leque de temas definidos segundo a formação e interesse acadêmico de cada um, algumas visões em comum sobre economia e com base em um acordo implícito de preservar a seriedade acadêmica, a diversidade e o diálogo amplo com as principais lideranças acadêmicas nas áreas de pesquisa de seus membros. O grupo estava maduro para dar o último salto, e transformar-se no CENTRO DE ESTUDOS EM ECONOMIA APLICADA, AGRÍCOLA E DO MEIO AMBIENTE (CEA IE-Unicamp), com ambição de continuar formando profissionais de alto nível para atuar na Academia, Setor Público e Privado, e desenvolver pesquisas de impacto nacional e internacional.
O CEA – aprovado na 215ª Sessão Ordinária da Congregação do Instituto de Economia da Unicamp, realizada em 28 de junho de 2023 – nasceu como um agregador de competências, com muitas ambições e responsabilidades, e visa promover redes de cooperação e de interação com o mundo acadêmico e profissional em que os temas mencionados são estudados, com instrumentos metodológicos avançados que permitam análises coerentes e robustas. Buscamos e continuaremos buscando interações que fertilizem nossas interpretações e que aportem metodologias dignas dos problemas complexos que enfrentamos.
Essa é a história do NEA, o Núcleo que virou Centro. O CEA começa agora a escrever a sua própria história com a ambição de contribuir, de forma efetiva, com base nas ferramentas próprias da Academia e da Ciência, para a construção de um futuro de desenvolvimento sustentável do Brasil.

de Grupos de Pesquisa no Brasil – Lattes / CNPQ
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